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Bem galera,
Compartilho aqui com vocês um pouco da história do nosso forró que com diz o título do documentário muita gente  desconhece. Apresento aqui um pouco da história de João do Vale um grande compositor da nossa música nordestina.

João Batista Vale nasceu em Pedreiras, no Maranhão, a 11/10/1933. Quinto de oito irmãos ajudava em casa, vendendo balas e doces feito pela mãe. Freqüentou a escola até o terceiro ano primário, quando teve de interromper os estudos – não para trabalhar, mas para ceder lugar ao filho de um coletor recém-nomeado para trabalhar em Pedreiras.

Trabalhava e dormia na construção; à noite percorria as rádios na esperança de se aproximar de algum artista. O primeiro a que teve acesso foi Zé Gonzaga, que a princípio não quis ouvir suas músicas, mas, depois, gostou muito delas e gravou Cesário Pinto, que fez sucesso no Nordeste. Luís Vieira foi o segundo que João procurou, conseguiu que Marlene gravasse Estrela Miúda (de autoria dos dois).
Além de Marlene – que gravou várias composições de João -, Luís Vieira, Dolores Duran, Luiz Gonzaga e Maria Inês também cantaram e registraram sues trabalhos com êxito.

Em 1987, quando ia Nova Iguaçu com uma amiga, parou em um restaurante para almoçar. João sentiu-se mal e de repente desabou direto no prato, fulminado por um AVC, mais conhecido como derrame cerebral. Sua acompanhante ficou apavorada e, não se soube se por ignorância ou maldade, saiu correndo e abandonou o local. Então, foi levado inconsciente para o Hospital da Posse de Nova Iguaçu. Sem documento e dinheiro (sua carteira ficara na bolsa da tal acompanhante), foi deixado numa maca e negligentemente abandonado à própria sorte. Após ficar sem atendimento adequado, teve convulsão e caiu da maca, batendo a cabeça no chão do Hospital. Foi atendido por uma estagiária mais atenta, onde foi reconhecido e a partir daí passou imediatamente de “crioulo sem ter onde cair morto”, para “artista brasileiro negro e talentoso, necessitado de socorro imediato”. Peculiaridades de um país socialmente racista.
João ficou internado por dois anos na ABBR, no bairro Jardim Botânico, para tratar da semi-paralisia do lado direito do seu seu corpo. Nesse período seus amigos se movimentaram para organizar e promover shows em benefício do artista e sua família. Em 1989 João recebeu alta, onde providenciou a sua aposentadoria, onde passou a viver dessa pensão (cinco salários mínimos) e de direitos autorais.
João do Vale ficou consciente, mas com grande lacunas na memória, cognição afetada, dificuldades na fala, tinha o corpo semi-paralisado e a perna visivilmente atrofiada.

No ano de 1996, a saúde João do Vale ia oscilando, apresentando melhoras alternadas com algumas crises.Todo o dia João batia ponto nos jogos de dominó em frente ao Sindicato dos Arrumadores, no centro de Pedreiras. Aos poucos, o estado de João do Vale passava a preocupar cada vez mais. Em 22 de novembro daquele ano, a turma do dominó soube que João não iria para o jogo, pois passara mal e resolvera ficar em casa. No final da tarde foi acometido por um novo acidente vascular cerebral. Apresentando um quadro grave de diabetes, hipertensão arterial e insuficiência renal, no dia 4 de dezembro, sofria seu terceiro e fatal derrame, o que o levou ao coma. E no dia 06 de dezembro de 1996, sexta-feira, às 13h30min, com falência múltipla dos órgãos, morria João Batista Vale, o poeta do povo João do Vale. A pedido seu, antes de morrer, foi enterrado, em 8 dezembro, no modesto cemitério São José, de Pedreiras. Mais de 5 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre, ao som de Pisa na fulô e Carcará, em arranjo para solo de saxofone de Sávio Araújo.

Algumas músicas de João do Vale.
“Pisa na fulô”

Pisa na fulô
Pisa na fulo
Não maltrata o meu amo

“Carcará”

Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Não vai morre de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará

“Peba na pimenta”

Seu Malaquia preparo
Cinco peba na pimenta
Só o povo de Campinas
Seu Malaquias convidou
Mais de quarenta

“O canto da ema”

A ema gemeu
No tronco do jurema
Foi um sinal bem triste,
Morena
Fiquei a imaginar

Espero que tenham gostem!!!

Abraços.

Fontes:http://www.fundacaojoaodovale.com.br/joao_vale.html